RECORDAR BONS MOMENTOS NOS FAZEM REFLETIR NÃO SÓ O QUE FOMOS E VIVEMOS, MAS TAMBÉM SE O QUE SOMOS REPRESENTA A REALIDADE DE NOSSAS ANGÚSTIAS. ALIMENTA NOSSAS ALMAS, REFRIGERA A ANSIEDADE PELO FUTURO E NOS FAZ AMAR, VALORIZANDO CADA MINUTO NO PRESENTE.

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segunda-feira, 25 de maio de 2009

Minha molequice ficou na Cohab I

      Relembrar a infância! Ah, como é fácil! Pois foi uma infância esplendorosa! Impressionante como somente depois de adultos podemos ter a certeza de que tudo aquilo que passou foi inesquecível, além da mesma, mas infeliz certeza, de que aqueles momentos não voltam mais.
      Nasci no ano de 1977, na Zona Sul de São Paulo. Morava em São Bernardo e com um ano de idade meus pais se mudaram para o Conjunto Habitacional Padre José de Anchieta. O ano era 1978.
      Primeiros moradores de um bairro que então surgia, na época meu pai podia escolher o local de moradia no conjunto com facilidade, e optou por um local onde achou ser o melhor. Segundo ele, tinha medo das fortes chuvas de verão, então optou em escolher uma rua de ladeira. A casa ficava bem lá em cima. Na época, as ruas não tinham nome, apenas números, e por lá, até hoje, trinta anos depois, todos ainda a conhecem como Rua "6", vulgarmente conhecida como Mário Calazans Machado (na foto acima, é a rua das casas, vejam que é uma ladeira, essa foto deve ser de 1978 ou 79). Apesar de na época estar com apenas um ano e meio, mais ou menos, posso me lembrar precisamente de detalhes de nossa casa nova, como as paredes de tijolos pintados de branco, o piso paviflex emborrachado da cozinha e da copa, do forro de gesso branco. Os fundos de nossa casa davam num enorme barranco que se encontrava com a vizinha da Rua "5". Por horas cheguei a incomodá-la, vezes por pedrinhas e pedrões, até manilhas de PVC de nossa construção; tudo era arremessado lá! Lembro-me com detalhes dos cabelos negros encaracolados da vizinha da rua de baixo, a me xingar: “seu moleque filho da mãe!”.
      As brincadeiras e intrigas com meus irmãos e vizinhos, nossa, como tinha pedra naquele lugar pra atirar! Lembro-me do cheiro das fortes chuvas de verão que batiam na rua, até então não asfaltada, cheiro de lama que escorria com a enxurrada. Parte dela adentrava o quintal de minha casa, formando um redemoinho. Era uma sujeira só! Tinha medo, pois a rua parecia uma cachoeira, com toda aquela água provinda de uma viela que ficava ao lado dos prédios, numa época em que ainda não existia o mercado D'avó. Quando asfaltaram a rua, as coisas melhoraram bastante. Foi o início de novas brincadeiras: o primeiro velotrol, a bicicleta e os carrinhos de rolimã feitos pelo meu pai. Foi só o começo de uma infância inesquecível! Pular corda, jogar taco, rouba-bandeira, armar a rede de vôlei, esconde-esconde (mas não vale se esconder no Jumbo Eletro, hein!), pega-pega, futebol. Às noitinhas, ia pra casa tomar banho, aos gritos de minha mãe: “Ôôoo Rodrigooo! Vem já pra casa!”. Depois do banho, podia sair mais um pouquinho, ficávamos na calçada - esta era a condição, e jogávamos bola de gude, rodávamos peão e, quase sempre, com as meninas, o momento mais esperado: brincar de pêra-maçã-salada mista, na época chamado de "É esse?". Podíamos dar nossas primeiras bitocas na boca, com toda aquela inocência, que hoje não existe mais.
      O primeiro dia no prézinho, na Osvaldo Vale Cordeiro, aqueles shorts vermelhos apertando as coxas, os coleguinhas chorando, o gosto da primeira merenda, achocolatado de caixinha, pão e banana! Até me lembro de meu primeiro amigo inseparável: Manoel. Nunca mais o vi. As festas juninas eram inesquecíveis; o cheiro delas ainda está no meu nariz, basta fechar os olhos e sentir...
      Quem poderia se esquecer das primeiras séries no Amador Arruda Mendes? Só Seu Cláudio, que guardava a escola e sua esposa, com seus famosos geladinhos, assim como outros tantos personagens famosos de lá, como o Toninho da cantina, com o seu imbatível pão com molho no saquinho - vendia que só! Mas seu mais cobiçado produto era o imbatível mixto quente, que o diga o Professor Waldomiro de educação física, todo dia ele soltava: "Ô fulano! Pega um mixto e uma coca lá no Toninho pra mim!" A querida professora Rose, da 4ª série A; que carinhosa, excelente educadora, não podendo dizer o mesmo das inspetoras Dona Jô com seus gritos em altos decibéis (acreditem era tão potente quanto a sirene da escola!) e da Senhora Cidinha com suas esterías, também nunca mais os vi! Quem me dera. A fanfarra embalava os sábados à tarde daquele povoado sob o comando do ilustríssimo Professor Heber.  Hoje...?
      Dos tempos de ginásio e colégio, do bom vôlei e futebol na quadra da escola, os primeiros namoricos, dos bailinhos entre as ruas das "casinhas", nos embalos de "Super Sonic" e "Sally, the Girl"! Dos amassos no estacionamento do Jumbo Eletro, das matinês de domingo na Toco - quantas vezes não voltei a pé, era incrível! Que bom poder estar aqui, matar a saudade, sonhar com este tempo e com as pessoas maravilhosas que fizeram parte desta infância incrível, a qual não posso proporcionar ao meu filho nos dias de hoje.
      Hoje percebo o quanto fui injusto em reclamar que não era feliz. Eu fui, e muito!

      Saudações e abraços aos meus queridos amigos de outrora, que povoaram o meu ser e me fizeram ser quem sou!

Obrigado, Cohab!

9 comentários:

  1. Como ja te disse, vc expressou tudo o que era de bom na nossa infância e hoje NÃO EXISTE MAIS, em um pequeno texto...como era bom né!!!!.....emocianante!!!!

    Não escrevo igual a vc que ta mais pra um jornalista né.....mas fica aqui meus comprimentos pelo texto lindo!!!!

    Abraços!!!

    Neni!

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  2. Obrigado Neni!
    Graças à vcs, minha infância pode ser tão bem recordada!

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  3. Não tenho a memória dos elefantes, e também os últimos anos de intensidade esparsaram muitas lembranças aqui na minha memória. O seu texto chega a ser quase insuportavelmente saudosista. Acredito que você deveria extendê-lo e transformá-lo num romance ou numa narrativa parecida, por exemplo criar um personagem. Muito bom mesmo cara!!

    Aquele abraço!

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  4. Na verdade é para chorar de saudade...

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  5. Bom como todos ja disseram realmente foi um tempo muito bom e que infelizmente a geracao de hoje nao podera conhecer.... eramos felizes e egoistas por achar que tudo aquilo nao tinha valor ,......Mas somos seres humanos e somente enchergamos o que e bom quando nao se pode ter mais ....... abraco forte a todos os meus amigos. A saudade e ainda maior agora que ja nao moro no brasil e ao meu lembrar da cohab posso sentir uma emocao agora ......ainda me lembro de brincar na janela com bilhetes romanticos dentro de uma sacola plastica....

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  6. Meu nome e Marcos Paulo Moro na cohab prestes maia,também vim de são bernardo com um ano pra cohab ,vc me fez navegar em um mar de saudade dessa infância que ficou e não volta mais , fui muito feliz ,tenho muita saudade daquele tempo e dos amigos e sinceramente chorei ,suas palavras foram muito bem colocadas ,parabéns amigo e obrigado por fazer um velho coração se emocionar novamente.

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  7. Gostaria de agradecer os comentários, aproveito para dizer que é muito gratificante saber que outras pessoas compartilharam as mesmas experiências; a intenção dos textos é exatamente esta. Peço que deixem um email para contato, será um prazer responder pessoalmente e quem sabe trocar algumas lembranças.

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  8. Parabéns! Lindo texto faz a gente reviver o passado que foi maravilhoso, acho que nossos filhos nunca irão imaginar a infância que tivemos, foi linda e bem aproveitada, vivi momentos inesquecíveis da minha vida na Rua 6. Abraços.

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    1. Fala, Beto!
      É verdade. Têmos de tentar proporcionar a eles o mínimo de alegrias que tivemos em nossa infância, acho que já será o bastante. Foi bom poder te rever por aqui, obrigado pelo comentário. O blog anda meio abandonado, mas com tudo isso que vem acontecendo, tá pintando uma vontade de voltar a escrever. Leia os outros textos, também falam um pouco de minha infância na Cohab. Quem sabe te faz recordar.
      Abraço em ti e na familia!

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